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Caso Epstein: Polícia do Reino Unido vai analisar denúncias contra político casado com brasileiro

g1.globo.com
Caso Epstein: Polícia do Reino Unido vai analisar denúncias contra político casado com brasileiro


Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA divulga mais 3 milhões de arquivos
A polícia do Reino Unido disse que está analisando as denúncias contra o político Peter Mandelson por suas ligações com Jeffrey Epstein.
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Mandelson, casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, era uma figura de destaque do Partido Trabalhista e é membro da Câmara dos Lordes, uma das casas legislativas do Reino Unido.
Ele deixou o partido no domingo (1º), após virem à tona documentos mostrando pagamentos de Epstein a Mandelson em meio aos novos arquivos do caso divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
A amizade com Jeffrey Epstein já havia lhe custado, no ano passado, o posto de embaixador do Reino Unido em Washington.
Epstein, um agressor sexual que manteve por anos uma relação próxima com o presidente americano Donald Trump, morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. A morte foi declarada suicídio.
Os novos documentos também mostram que Reinaldo Avila da Silva, seu marido, também recebeu de Epstein depósitos que somam £ 10.000 (cerca de R$ 70 mil, na cotação atual).
Após novas revelações, Mandelson — assim como outros homens poderosos, incluindo Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III — enfrenta pressão para esclarecer sua relação com o falecido agressor sexual.
Ao anunciar a saída do partido, Mandelson afirmou que estava se afastando para evitar “mais constrangimentos”, embora tenha negado as acusações que surgem entre as mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
O primeiro-ministro Keir Starmer, que já havia demitido Mandelson do cargo de embaixador por causa de revelações anteriores sobre seus laços com Epstein, agora enfrenta pressão para fazer com que ele deponha nos Estados Unidos sobre o que sabia a respeito das atividades do financista.
Peter Mandelson foi embaixador britânico nos Estados Unidos.
Carl Court/Pool via AP
Pedidos de renúncia
Nesta segunda-feira, Starmer pediu que Mandelson renunciasse à Câmara dos Lordes — a câmara alta não eleita do Parlamento britânico, composta por políticos, doadores e outras figuras públicas — para a qual ele foi nomeado vitaliciamente em 2008. Isso também implicaria abrir mão do título de nobreza, Lord Mandelson, que recebeu na ocasião.
Se ele se recusar, expulsá-lo exigiria um processo demorado, com a aprovação de legislação específica pelo Parlamento — algo que não ocorre há mais de um século, quando títulos foram retirados de aristocratas que apoiaram a Alemanha na Primeira Guerra Mundial.
“O primeiro-ministro acredita que Peter Mandelson não deveria ser membro da Câmara dos Lordes nem usar o título”, disse o porta-voz de Starmer, Tom Wells. “No entanto, o primeiro-ministro não tem o poder de removê-lo.”
Mandelson — assim como Mountbatten-Windsor, o ex-príncipe Andrew — também enfrenta pedidos para prestar depoimento sobre Epstein nos EUA.
O ministro Steve Reed afirmou na segunda-feira que ambos têm uma “obrigação moral” de ajudar as vítimas de Epstein.
“Se alguém tem informações ou evidências que possam compartilhar para ajudar a entender o que aconteceu e levar justiça às vítimas, então deve compartilhá-las, seja Andrew Mountbatten-Windsor, seja Lord Mandelson ou qualquer outra pessoa”, disse ele à Sky News.
Epstein morreu por suicídio em uma cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos EUA de abuso sexual de dezenas de meninas. Anos antes, ele havia evitado um processo federal ao se declarar culpado na Flórida por acusações estaduais de solicitação de prostituição envolvendo uma menor, entre outras.
Mandelson ao lado do presidente Donald Trump em maio de 2025, em Washington.
Evan Vucci/AP
Novas alegações sobre ligações com Epstein
A mais recente divulgação de arquivos sobre Epstein inclui centenas de mensagens de texto e e-mails trocados entre Mandelson e o financista, revelando uma relação próxima. Em 2003, o político britânico se referiu a Epstein como “meu melhor amigo”.
Vários documentos parecem mencionar pagamentos de Epstein a Mandelson ou a seu parceiro, Reinaldo Avila da Silva. O Financial Times e a BBC informaram que o que parecem ser extratos bancários de 2003 e 2004 indicam que uma conta de Epstein enviou três pagamentos, totalizando US$ 75 mil, para contas ligadas a Mandelson.
Mandelson questionou a autenticidade dos extratos bancários. Em carta ao Partido Trabalhista comunicando sua saída, afirmou não se recordar de ter recebido o dinheiro e disse que investigará o caso.
“Enquanto faço isso, não desejo causar mais constrangimento ao Partido Trabalhista e, portanto, estou me afastando da condição de membro do partido”, escreveu.
Mandelson acrescentou que queria “reiterar meu pedido de desculpas às mulheres e meninas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas muito antes”.
Os documentos também incluem uma troca de e-mails de 2009 na qual Mandelson, então ministro do governo britânico, aparentemente disse a Epstein que tentaria influenciar outros integrantes do governo para reduzir um imposto sobre bônus de banqueiros.
Entre os arquivos há ainda uma foto de Mandelson de camisa e roupa íntima, ao lado de uma mulher não identificada vestindo um roupão.
LEIA TAMBÉM: Imprensa internacional repercute fotos de príncipe Andrew nos novos registros liberados dos arquivos Epstein
O fim de uma carreira turbulenta
Mandelson, de 72 anos, é há décadas uma figura importante — e controversa — no Partido Trabalhista, de centro-esquerda. Habilidoso articulador político, ganhou o apelido de “Príncipe das Trevas”.
Neto do ex-ministro trabalhista Herbert Morrison, foi um dos arquitetos da volta do partido ao poder em 1997, com o projeto centrista e modernizador do “Novo Trabalhismo”, sob o primeiro-ministro Tony Blair.
Mandelson ocupou cargos importantes no governo Blair entre 1997 e 2001 e voltou ao governo sob o premiê Gordon Brown, de 2008 a 2010. Nesse intervalo, foi comissário de Comércio da União Europeia.
Ele teve de renunciar duas vezes durante o governo Blair por alegações de impropriedade financeira ou ética, reconhecendo erros, mas negando irregularidades.
Mais tarde, retornou ao governo e voltou à linha de frente da política quando Starmer o nomeou embaixador em Washington no início do segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump. Sua experiência em comércio e trânsito entre os ultrarricos eram vistos como trunfos na relação com o governo americano. Ele ajudou a fechar, em maio, um acordo comercial que poupou o Reino Unido de parte das tarifas impostas por Trump a países ao redor do mundo.
Mas Starmer o demitiu em setembro, após a publicação de e-mails mostrando que a amizade de Mandelson com Epstein continuou mesmo após o financista se declarar culpado em 2008.
Agora, além de deixar o Partido Trabalhista, Mandelson enfrenta apelos para ser expulso da Câmara dos Lordes.




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